Moçambique refém das mudanças climáticas

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Em Moçambique, as mudanças climáticas traduzem-se na extinção de várias espécies, desertificação e o aumentodo nível do mar, este último pode ser visto nas cidades de Nacala, Beira e Pemba. Estas são algumas das consequências desencadeadas pelo aumento das temperaturas. Moçambique não é apenas um dos países mais expostos às tempestades tropicais em África, como também um dos países mais vulneráveis pelos efeitos das alterações e das mudanças climáticas. Os desastres naturais têm tido um impacto muito negativo, sobretudo na agricultura, que tem impacto na subsistência das famílias e empurram milhares de pessoas para a pobreza e a fome. "Somos um dos países que sofre mais com os impactos da crise climática, ao mesmo tempo também somos um país que está a explorar combustíveis fósseis, investimento que vai piorar a nossa situação e isso é ignorância. Sabemos que já estamos a sofrer com os desastres naturais e estamo-nos a esquecer que isto pode ter impactos na vida das pessoas", afirma Anabela Lemos, directora da ONG moçambicana Justiça Ambiental (JA). O ciclone "Idai foi a evidência clara das mudanças climáticas no mundo e a tendência vai ser que estes desastres se ampliem", alerta Anabela Lemos, directora da JA. "Quando existem estes eventos ambientais, como é o caso dos ciclones, ou mesmo tempestades tropicais, não existe um sistema suficiente para avisar todos os camponeses. Não conseguimos antecipar, mas as pessoas que vivem na cidade sabem que vem aí [uma tempestade ou um ciclone], mas o que é que nós podemos fazer? absolutamente nada. É esperar e esperar que quando entrem em Moçambique não façam tantos estragos", descreve. A directora da JA explica ainda queo IDAI foi o primeiro de vários ciclones a atingir Moçambique. "Dizem que foi uma perfeita tempestade. Isto é, saiu, deu uma volta e depois veio com uma intensidade nunca vista. Já aconteceu, muitas vezes que um ciclone perca força, isso tem muito a ver com o mar. O aquecimento das águas pode provocar uma intensidade maior dos ciclones. O nível das águas estão a aumentar por causa das alterações climáticas". Em Moçambique mais de "70% das pessoas vivem no campo, onde as casas e os seus modos de vida são muito rudimentares. Não são casas que estão preparadas para ciclones. Isso devia ser uma procupação para o governo", acrescenta a ambientalista. Anabela Lemos alerta para o facto de "as áreas que são afectadas serem sempre as mesmas. É sempre naquela faixa norte entre a Beira e Cabo Delgado. Temos que começar a ser conscientes, se não somos conscientes estamos a pôr pessoas em riscos. Há pessoas a morrer e estamos a ser assassinos. É isso que estamos a fazer, estamos a criar mais pobreza num país que já é pobre. Só pensamos em megaprocjetos em infra-estruturas, que não têm nada a ver com a nossa realidade".

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