ONG quer restaurar 300 hectares de floresta em 3 anos no centro de Moçambique

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Em Moçambique, uma ONG ambientalista, a 'Livaningo' está juntamente com outra organização da sociedade civil, a ADRA Moçambique, a efectuar desde o ano passado e ainda até 2023 um trabalho de restauro florestal nas regiões de Lamego e Chirassicua, no distrito de Nhamatanda, na zona centro do país, o objectivo sendo reabilitar cerca de 300 hectares de florestas numa zona que tem sido bastante danificada pelos ciclones e igualmente pela actividade humana. Este projecto de restauro e conservação das florestas comunitárias em Sofala associa os imperativos ambientais, com a reintrodução de espécies nativas, mas também económicos das populações locais, explica Olinda Cuna, coordenadora de projectos da área de recursos naturais da ONG 'Livaningo', que ao falar das diversas etapas deste projecto evocou também a importância que reveste para os habitantes da zona. "A província de Sofala é uma das províncias que têm sido drasticamente afectadas pelas mudanças climáticas. Só no último ano, foram cerca de três eventos climáticos, três ciclones que afectaram a província e têm destruído os recursos naturais que existem, estamos a falar das florestas, mas também da componente da terra. Sabemos que aqui em Moçambique, muitas comunidades dependem exclusivamente da agricultura para o seu sustento. Outra coisa que temos percebido e que tem sido uma das acções do Homem que tem afectado muito as florestas, tem sido desmatamento. Os homens infelizmente dependem muito dos bens que a floresta oferece, dependem da lenha, dependem das estacas que retiram das florestas para construir as suas casas" explica Olinda Cuna ao mencionar igualmente o fenómeno das "queimadas descontroladas" como factor para a destruição das florestas na região centro de Moçambique. Ao referir que o trabalho levado a cabo pela sua organização é feito em parceria com as comunidades locais, Olinda Cuna explica que "quando entram numa comunidade, o interesse não é só de implementar as acções do projecto, mas também pensar na sustentabilidade. Então, é preciso entrar num acordo com a comunidade e estar todos a defender a mesma causa". Com efeito "como organização, integramos o que se chama de sistemas agro-florestais. Se não pensarmos nas necessidades económicas destas comunidades, não vamos conseguir atingir o nosso objectivo" sublinha a técnica ao referir que neste âmbito, a 'Livaningo' faz uma combinação de culturas que integra no restauro florestal o cultivo de árvores de fruto. "As próprias comunidades poderão beneficiar-se das fruteiras como o cajueiro, a papaieira, a tangerineira ou o limoeiro para poder fazer a venda (...) e a definição das espécies que nós estamos a usar foi feita nos encontros com as comunidades", explica a coordenadora de projectos. Referindo-se por outro lado ao desempenho das entidades públicas na protecção do meio ambiente e em particular das florestas, a activista ambiental dá conta de algum cepticismo. "Na nossa lei, está estipulado que o governo deveria canalizar ou disponibilizar 15% dos impostos (direccionados para o ambiente) para a componente do reflorestamento, mas a realidade é que isto não está a acontecer" lamenta a técnica referindo que "a perspectiva (da sua ONG) é de o governo parar, reflectir e reconhecer que tem sido feita uma má gestão das florestas em Moçambique e poder promover projectos públicos nas comunidades, porque sabemos que na estratégia nacional, o governo tem uma abordagem de que dentro das comunidades, o líder deveria proteger uma floresta, mas se ele não tem os recursos necessários, não vai ser possível." A gestão da floresta que segundo o Ministério Moçambicano da Terra e do Ambiente ocupa cerca de 32 milhões de hectares do território nacional, o que representa cerca de 40% da sua superfície total, representa um desafio importante para o país. De acordo com dados oficiais, o Estado moçambicano perde cerca de 196 milhões de Euros por ano, somente com a exploração ilegal de madeira, isto numa altura em que o governo acaba de constatar no mês passado que os crimes ambientais têm disparado neste último ano.

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